Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.

Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!


domingo, 29 de dezembro de 2013

Passeio ao Minho no Outono...


E assim termino o ano de 2013. 

Deixo-vos em paz! E com esta citação: "Que o Novo Ano de 2014 que se anuncia não seja como o outono da vida onde as folhas caem deixando apenas lembranças de dias bons e ruins, mas que seja como a primavera da vida que produz frutos e dos frutos sementes onde podem ser plantadas a cada dia e colhidas a cada amanhecer."

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Silêncio que fala e palavras que não se esgotam!

Vila Flor, 27 de Dezembro de 1975. Há 38 anos, precisamente.
Estava uma manhã fria e cristalina de inverno. A luz pálida do sol entrava pelas enormes janelas envidraçadas e era reflectida, de determinados ângulos, nos espelhos que forravam a parte superior da parede do fundo.
Tudo isso contribuía para o ambiente acolhedor que se desfrutava, naquele preciso momento, no interior do Café Avenida onde tomava tranquilamente o pequeno-almoço.
Tinha chegado a Vila Flor na véspera do dia de Natal vindo do quartel onde cumpria o serviço militar obrigatório e ainda estava imbuído de espírito natalício, embora algo nostálgico e introspectivo. 
Havia lá mais quatro clientes.  
Na mesa ao meu lado esquerdo, aquecida por uma das faixas de luz reflectida do espelho, estava um casal de idosos, meus conhecidos, cada um deles a beber o seu galão acompanhado com torradas bijou. Ele era um ex-empresário e ela professora primária aposentada.
Entre o ruído mais ou menos confuso e desordenado das chávenas, dos talheres e da máquina de café Cimbalino, era como se uma auréola de silêncio os envolvesse. Olhei-os discretamente (mas com atenção) e fiquei com a sensação que não diziam nada um ao outro, ou porque se entendiam mesmo sem palavras, ou... porque as palavras já se tinham esgotado há muito. 

As palavras esgotam-se com a vida? - Perguntei-me. 

Restava-lhes um incógnito olhar para os dois copos de galão vazios e uma presença ausente. 
No entanto, foi possível percepcionar o afecto, a amizade e o amor entre estes dois seres a emanar da profundidade dos seus silêncios.

Na mesa à minha direita estava um casal na casa dos 30 anos. Eram os proprietários recentes de uma das lojas das proximidades. O homem começou a levantar a voz à companheira. Não num tom agressivo, mas numa tentativa evidente de a anular e/ou desvalorizar. Percebi que a conversa era o prolongamento de uma discussão havida entre eles na noite anterior. Ele falava pelos dois e fundamentava a sua argumentação na inutilidade dela como companheira de vida dele.

O amor deve ser útil? - Perguntei-me.

- Nunca dizes nada de jeito! - repetia ele.
Ela nada dizia.
Restava-lhes um ar desconsolado para duas chávenas de café com leite tristemente vazias.

O casal de idosos levantou-se e saiu. Fiquei a vê-los pelo canto do olho. Deram as mãos carinhosamente e desapareceram lentamente na primeira curva, subindo a rua em direcção aos Correios da Vila. Levaram com eles o seu silêncio único. E revelador.

Ao meu lado direito a discussão agravou-se. Ela decidiu responder. 
Talvez as palavras não se esgotem sempre, mas era bom que às vezes o fizessem. Pelo menos foi o que pensei.

Paguei a conta e saí...

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Grupo 5.com(e) de novo em Ponte de Lima (III)

Quem é este um mendigo?
Também faz parte da tradição ir dar lustro ao touro num recanto pitoresco de uma das ruas mais típicas da vila, perto do busto do cardeal Saraiva, que nos olha com o seu ar bonacheirão.
Perto dali encontramos um mendigo, um sem-abrigo, estendido num banco de jardim. Pareceu-nos ter um ar familiar. Brincou connosco e acolheu-nos com um sorriso nos lábios, como um cachorrinho quando é afagado pelo dono.
Antes de iniciarmos a viagem de regresso fomos à beira rio deixar-nos fotografar junto à legião romana que nos primórdios da nossa história veio cá com intuitos de juntar esta terra à sua lista de conquistas. Mas viram logo que não é fácil derrotar-nos. Connosco até têm medo das sombras. Reza a história que a legião se recusou a atravessar o rio, convencida que quem passasse para a outra margem perdia a memória.
Se não os pudemos vencer pelas armas vencemo-los pela argúcia. Chicos espertos somos nós e isso já vem de longe.

Felizmente em cada casa há um Toni que nos acolhe de pernas abertas
Cumprida a agenda de trabalhos havia que regressar a casa, onde chegamos já era noite cerrada, apesar de pouco passar das 18 horas. Sem qualquer percalço a assinalar na viagem só resta registar um episódio já recorrente. Já prestes a estacionar o carro em casa este cronista começou a sentir as já crónicas cólicas intestinais, que em espaço de minutos passaram de um simples mal-estar a uma desagradável e difícil luta contra o tempo.
Telefona então o Bernardino a dizer que se esqueceu dos bolinhos e foi preciso ir ao seu encontro. Mas o assunto foi rapidamente resolvido. O pior foi um vizinho que apareceu na altura mais inoportuna e começou a falar num problema do prédio para o qual andamos à procura de solução. A questão é que com os problemas do prédio posso eu bem. Com os outros é mais difícil, mas não se pode simplesmente mandar o vizinho bugiar.
Despachado o vizinho, foi o sprint do costume, com uma impressionante reta final a caminho da vitória. E, como da outra vez no Toni de Vila Flor, chega-se direto ao céu logo depois de se passar pelo inferno, contrariando tudo aquilo que se aprendeu na catequese.

Valadares, 12 de Dezembro de 2013
 O secretário/cronista
 Alexandre Ribeiro

Nota Final:
E agora o vídeo prometido! Comprovem, de preferência em full screen, a memória "fotográfica" do nosso grande cronista!


São estes momentos de convívio, sadio e verdadeiro, que também nos dão alento para continuarmos a viver com alguma alegria...

sábado, 21 de dezembro de 2013

O Grupo 5.com(e) de novo em Ponte de Lima (II)

O Borges versus Cinda
Chegamos a Ponte de Lima à hora prevista e fomos logo diretos ao destino, o restaurante Borges, a caminho do Tesido, perto da Borracheta e Subquintão.
O menu do almoço foi aprovado por unanimidade e sem necessidade de consultar a carta. Aliás, já não foi preciso escolher. Vou só repescar o que consta da ata do ano passado: “broa, azeitonas, chouriço assado, arroz de sarrabulho e leite-creme queimado. Apenas nas bebidas o Jorge destoou, pedindo água em vez do saboroso verde tinto da casa”. “No final de tão copiosa refeição a escolha acabou sendo aprovada por aclamação e o preço não deixou ninguém de tanga – 14 euros por cabeça”. Transcrição sic da ata do ano passado.
Só se mudou o cenário da Cinda para o Borges, pois quanto ao resto não se mudou uma simples vírgula. Quando muito uns cêntimos, como a cópia da conta bem demonstra.
Apenas se registam 3 notas complementares: a expressão de satisfação do Mota “maravilha. Isto está uma delícia”, orgulhoso por ter influenciado a escolha; o chouriço assado foi devorado até aos fios que atam as pontas e até se chupou o sumo da travessa (não, não veio a frigideira para a mesa); o tinto escorregou tão bem que acabou por vir uma média de uma garrafa por cabeça, se considerarmos que o condutor não podia beber (mas deu uma ajudinha) e o Jorge fez jus à fama de abstémio (um palavrão bonito e que lhe está corretamente aplicado).

Comandante Militar de Urrós
A conversa à mesa versou os temas do costume, com a crise em lugar de destaque e com alguns ausentes bem presentes: o inesquecível Carlos, o ainda não presente Álvaro e o recém afastado Vaz Nunes. Vieram à baila histórias e peripécias, não faltando os colegas de tropa, desde o Otelo ao Comandante Militar de Urrós.
Assuntos ligados à área da saúde começam também a ser tema recorrente, com uns bitaites que os leigos costumam mandar em função das mazelas que vão acumulando e que lhes vão dando um notável acervo de conhecimentos na área da medicina. Até permitem diagnosticar que o médico X deve ser gay, mas isso não impede que se “goste dele”.  Gostos não se discutem, mas percebe-se a ideia.

A jovem que adivinha as nossas intenções
Terminado o repasto fomos, como manda a tradição, tomar café ao centro da vila, à praça principal, esplêndida esplanada sobre o Lima.
Estacionado o carro no vasto parque junto ao rio (que fazem ali tantos carros? Haverá tantos reformados a passear por Ponte de Lima?), posamos para a fotografia da praxe, com a inevitável limitação de o fotógrafo não poder ficar no retrato. Vendo o nosso embaraço e adivinhando as nossas intenções, uma amável jovem prontificou-se, com grande entusiasmo, diga-se, a carregar no botão. Devia ser uma jovem, pois apesar de aparentar ter mais uns anitos que nós ainda usava na boca um aparelho corretor dos dentes.
Olha se fosse uma jovem/jovem e que adivinhasse com a mesma precisão os nossos desejos e se prontificasse de forma tão generosa a colaborar connosco! Ia ser bonito, ia.

Como enriquecem os políticos em Portugal
Como manda a tradição, procedemos à troca de prendas, ato simbólico e momento de animação com fotos a recordar o momento.
Quem reparasse no nosso ar relaxado e visse uma das prendas - o livro Como enriquecem os políticos em Portugal” - julgaria porventura que seriamos um grupo de políticos da oposição que estavam de passagem por Ponte de Lima, daqueles que pregam uma coisa e fazem outra, gostando de saborear os prazeres da vida, apesar de passarem o tempo a dizer mal dos governos.
Local de passagem obrigatória em Ponte de Lima é um pitoresco estabelecimento de petiscos – O Cardápio da Márcia. Destacamos hoje “estouros explosivos a sair do redondo”.
Daí abalamos para a sessão de compras, antes do regresso a casa. Ao contrário do que elas (as nossas mulheres) possam pensar, estiveram sempre presentes no nosso pensamento. Ai de nós se nos esquecêssemos! Havia que lhes levar uma lembrança para as compensar de um dia sem os nossos “carinhos”. Houve quem optasse por levar uns bolinhos, para lhes adoçar a boca. Outros optaram por as presentear com uma vistosa “estrela de natal”. Cai sempre bem oferecer flores a uma mulher.
Só espero que cada um tenha feito a escolha acertada. Seria dececionante ouvir um comentário do género “andaste a trazer bolos e nem te lembraste que eu ando a fazer dieta e não quero engordar. Ainda se fosse uma flor… “ou ao invés, aquelas que receberam flores dizerem “chegaste atrasado, que eu já tenho a decoração do natal completa. Ainda se fossem uns docinhos…”.
“Não trouxe doces porque sei que andas a fazer dieta” ripostamos nós.
“Pois, mas é só por uma vez e também faz bem prevaricar de vez em quando”.

É difícil gerir estas sensibilidades.
(Continua...)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Amestrado em austeridade...


A ideia não é minha mas concordo com ela e, naturalmente, adopto-a com a mesma descontracção com que a Senhora Christine Lagarde adopta o seu animal doméstico...

Nota:
Este post, aqui no vyla58penedo.blogspot.com, era para ficar mesmo assim e só até aqui. 
Também tinha a ideia de o publicar depois de concluída a crónica do nosso amigo Alexandre Ribeiro, da qual apenas publiquei a primeira parte.
No entanto, e depois de, agora mesmo no Jornal das 8, ouvir dizer a este canino a quem chamam coelho que estava a dar os passos necessários para encontrar uma forma constitucional de reduzir as pensões, tenho mesmo que vir reclamar. Tenho que vir gritar a minha revolta. Tenho que vir berrar.  
Lá em Vila Flor costumava-se dizer com toda a propriedade: “Quem não chora não mama”. Aqui de Valadares eu digo: “Estou farto de mamões! Porra!”.
Quando ouço este aldrabão, que tanto prometeu antes de ser eleito, dizer - com a maior desfaçatez - que o chumbo (mais um) do Tribunal Constitucional ao diploma da convergência das pensões da Caixa Geral de Aposentações “abre também o espaço para que sejam cortadas pensões em pagamento e que o Governo vai agora estudar as condições em que isso pode ser feito” tenho uma necessidade enorme de me revoltar e de fazer algo de mais concreto e assertivo.
Como não tenho vinte anos e já sou aposentado, velhinho portanto, a quem podem vir assim com jeitinho alterar o montante da minha pensão, não posso pegar numa arma e defender aquilo que é meu por direito acumulado ao longo de quase quatro décadas de trabalho. Mas tenho o direito de dizer e fazer alguma coisa. Estou a fazê-lo e prometo que não ficarei por aqui...
Estou cansado de ouvir estes "palhaços" que nos governam a chamar de “poupança” ao confisco de salários e de pensões à margem da lei; de “ajustamento” ao empobrecimento dos portugueses e à destruição do país e de “ajuda externa” a um empréstimo que pagamos a juros agiotas.

Basta! A paciência tem limites! Temos o direito de gozar a nossa reforma sem sobressaltos e, permanentemente, na dúvida se o governo nos vem ou não roubar…

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O Grupo 5.com(e) em Ponte de Lima (I)

Crónica de
  Alexandre Ribeiro

Cinquenta e cinco semanas depois da última deslocação a Ponte de Lima, aos 12 dias do mês de Dezembro de 2013, teve lugar mais uma reunião ordinária do Grupo 5.com(e) que se deslocou a essa ancestral vila portuguesa para saborear o tradicional e insuperável arroz de sarrabulho.
De notar que o grupo já se encontra devidamente representado nessa lindíssima terra, através da escola de Condução Jorge Matos e do Escritório de Advogados Alexandre Rocha.

Porto e Benfica andam à procura de reforços.
Na véspera e na antevéspera o Porto e o Benfica foram eliminados da champions. Por isso quase não se falou de futebol, nem houve as habituais picardias e chistes, pois num velório não se devem contar anedotas e não fica bem o roto rir-se do descamisado.
Mas recuemos um pouco: a recolha ao domicílio estava programada para as 11 menos um quarto, em casa do Rogério. Antes da hora marcada o motorista de serviço, o Alexandre, lá estava no seu Volvo, à espera do primeiro passageiro, que não se fez esperar. Depois, quando pensávamos ter de esperar pelo Bernardino, dado estarmos adiantados na hora, fomos surpreendidos ao vê-lo já à nossa espera. Em casa do Jorge foi só esperar que descesse da varanda presidencial, onde apareceu com a sua dama a saudar os presentes. O Mota, claro, devia ter descido quinze minutos antes da hora marcada, pois apesar de anteciparmos a chegada já o vimos impaciente à porta do prédio, a salivar.
Conclusão: para a ramboiada não há perna manca. Se o Jorge Jesus e o Paulo Fonseca sabem disso, com tantos pernetas lá para as bandas deles, ainda nos chamam para reforçar os respetivos plantéis.

Assim se constrói a democracia
Mas se não foi difícil o cumprimento do horário, já a escolha do local do repasto foi algo complicado depois de o Bernardino ter lançado a confusão ao falar num sítio onde havia comido uma vitela deliciosa.
Antes de chegarmos a casa do Mota já tínhamos abordado a questão do destino. Perante a hipótese de irmos ao sarrabulho a Ponte de Lima ou à vitela a Vieira do Minho, concluiu-se que o Mota já tinha afiado os dentes e iria ficar dececionadíssimo se não fossemos ao sarrabulho. E tinha que ser no Borges, que é o melhor do mundo. Mesmo assim, depois de o apanharmos, por um imperativo democrático colocou-se o problema a votação. Começou o Mota com uma declaração prévia: tanto me faz ir a Ponte de Lima como a Vieira do Minho. Vou para onde a maioria decidir.
Todos fingiram acreditar. E colocada à votação a hipótese de ida ao sarrabulho a Ponte de Lima a proposta não recolheu um único voto favorável. Todos se abstiveram.
Mas também não apareceu ninguém em defesa da hipótese alternativa. Por isso o Jorge, sabiamente, resolveu a questão: pronto, vamos então a Ponte de Lima, como quer o Mota.
A isto se chama respeito pelas minorias. Mas depois do almoço, como se verá, comprovou-se que há decisões aparentemente pouco democráticas mas que o tempo se encarrega de revelar muito acertadas. A sabedoria de alguns iluminados às vezes funciona melhor que o somatório dos votos da plebe.

Agradáveis para-choques e confortáveis airbags
A primeira paragem técnica foi na área de serviço de Santo Tirso para tomar café. Há que realçar este facto, porquanto constatamos que a área passou a estar apetrechada para outro tipo de serviços procurados por clientes cujas oficinas caseiras não ofereçam a qualidade pretendida. Com agradáveis para-choques e confortáveis airbags, os condutores que pretendam mudar óleo podem encostar às boxes e usufruir de saborosos momentos de relaxamento no meio de uma viagem mais cansativa.
(Continua...)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

E pronto. Nunca mais se viram!

Era o último dia do mês de Agosto. 
Atravessávamos um período político muito crítico e que ficou conhecido como o Verão Quente de 1975. Em pleno Período Revolucionário em Curso (PREC) que foi, de facto, um tempo marcante na História de Portugal, que teve início com o golpe militar de 25 de Abril de 1974 e viria a culminar (cerca de três meses depois) com o golpe militar de 25 de Novembro.

O Café Liz estava cheio com os clientes habituais, com a malta vinda de vários lados de Vila Flor e com alguns emigrantes mais retardados que ainda não tinham regressado ao País de acolhimento. Era mais um dia de convívio para uns e de despedidas para outros. Enquanto uns conversavam em pequenas tertúlias, outros jogavam snooker ou bilhar livre. Outros ainda visionavam o programa de Domingo à tarde que passava no ecrã da enorme televisão colocada mesmo por cima da porta de entrada do Café. Os restantes esgotavam todos os lugares do espaçoso Café. Cá dentro e lá fora na pequena esplanada não havia nenhuma mesa livre. 

Até que, entra uma bela e jovem mulher, curvilínea, irrepreensivelmente vestida, desconhecida de todos e que atraía os olhares dos homens, uns de forma disfarçada, outros de maneira ostensiva.
Caminhando por entre as mesas e contornando as duas mesas de bilhar a jovem mulher tentava descobrir, sem êxito, um lugar para se sentar. Fixou os seus olhos azuis, amendoados, numa mesa, lá ao fundo onde eu me encontrava sozinho e absorvido na leitura de um artigo do jornal O Comércio do Porto, que explicava como Pinheiro de Azevedo dava início às primeiras diligências para a formação do VI Governo Provisório.
- Desculpe-me estar a incomodá-lo, mas não consigo encontrar nenhuma mesa livre. Importa-se que me sente à sua?
Levantei os olhos do jornal, aparentemente surpreendido pela beleza daquela mulher, puxei uma cadeira e convidei-a a sentar-se, indiferente aos sorrisos da malta que seguia a cena: - Faça favor! É um prazer!
Sentou-se e agradeceu: - É muito simpático. Reparei que foi o único homem que, educadamente, não me "comeu" com os olhos enquanto eu procurava lugar.
- Estava a ler e, quando estou absorvido na leitura, consigo abstrair-me completamente de tudo o que me rodeia - esclareci com o meu melhor sorriso.
- Você, além de simpático, é um rapaz polido e de boas maneiras.
- Oh!!! Obrigado, acho que não fiz nada de mais – respondi, algo envergonhado, ao mesmo tempo que pousava delicadamente a palma da minha mão nas costas da mão dela.
Ela pareceu gostar daquele toque carinhoso. Retribuiu, olhando-me directamente nos olhos.
Desviei o olhar procurando concentrar-me no outro lado da rua onde o Sr. Eusébio Ápio Garcia, na sua loja de electrodomésticos, provavelmente gaguejando, mas de forma tranquila, dava orientações ao seu jovem e "Puto" empregado.
Quebrei o silêncio que se seguiu perguntando: - e o que faz uma jovem e bonita mulher, sozinha, em Vila Flor?
- Estou de passagem. Fui colocada na escola primária de Sampaio e vou para lá ainda hoje para, com tempo, arranjar uma casa, conhecer a escola e a própria aldeia…
Depois de uma pausa, enquanto a Maximina lhe servia o café, perguntou: - Como se chama?
- Bernardino, sou o Bernardino!
- Eu chamo-me Adosinda e gostava de o conhecer melhor...  Não quer ir visitar-me, lá à aldeia, amanhã?
- Amanhã!? A partir de amanhã o meu destino está fora de mim, não me pertence e não sei se fará parte do seu. Amanhã, dia 1 de Setembro, parto para a Escola Prática de Cavalaria de Santarém onde vou iniciar o serviço militar obrigatório. Sim, amanhã vou para a tropa e é única certeza que tenho sobre o amanhã…

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E pronto. Nunca mais se viram!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Renegar o tempo...

Agora que estou longe do reboliço dos horários, agora que os toques estridentes da campainha já não me chamam, agora que as horas, os minutos e a loucura exasperada dos relógios já não me controlam, agora que as reuniões intermináveis e as regras impostas pelo trabalho diário já não me perturbam, permanecer aqui nesta minha sossegada e plácida realidade tem um sabor agridoce e deixa-me com sentimentos contraditórios.
Por vezes o tempo que tenho para passar e ocupar o tempo é tão penoso que provoca a minha fuga constante. Por vezes até penso que vou passar o tempo a negar o tempo, as horas, os minutos e os segundos dos dias que me restam. Outras vezes desejo não estar aqui e vou para ali a pensar que nunca voltarei mas... a desejar voltar o mais rapidamente possível.

Hoje, ao acordar, não queria acordar, nem colocar os pés no chão e voltar à rotina cinzenta dos dias...
Apetecia-me negar o tempo que passa vagarosamente, partir-lhe os ponteiros, quebrar-lhe as asas. Apetecia-me fazer tudo isso e muito mais.

Mas nada do que fizesse adiantaria, porque voltar à realidade é sempre uma inevitabilidade e, pensando melhor (a meio da manhã e já bem desperto), também cheguei à conclusão que tenho um tempo que, por ser bom demais, passa muito rapidamente.  E tenho tanta, mas tanta, coisa boa para amar, apreciar e desfrutar... ainda por cima com todo tempo do mundo

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Por que não devemos votar em corruptos...

Parece perseguição, mas juro que não é. 
Infelizmente é a realidade que muitos continuam a apoiar e pouquíssimos a denunciar... 
Bem-haja José Gomes Ferreira, um dos poucos a fazê-lo e que aqui deixa, bem expressas neste vídeo, as mentiras de Sócrates.

"1ª MENTIRA- Afirmou que Portugal podia ter feito como Espanha e Itália e evitar a troika... Mas todos sabemos que Teixeira dos Santos, o seu ministro, disse-lhe que já só havia dinheiro para um mês de salários. Está dito, escrito e documentado. 

2ª MENTIRA - Sócrates diz que a divida pública sobe 30% de 2010 para 2012, insinuando que foi o PSD o culpado pela divida.
Esta é a maior mentira que se pode dizer a um povo, pois esse aumento resultou de a troika ter chegado e ter exposto o verdadeiro deficit do estado que estava escondido. É uma vergonha esta mentira.

3ª MENTIRA - Sócrates afirma que os encargos líquidos das PPP que ele deixou, era de 23 mil milhões de euros, mas citando o estudo de uma consultora que ajudou a criar estas parcerias, e contribuiu para o descalabro, conclui que, os encargos líquidos das PPP todas, incluindo as 8 de Sócrates, são de 32 mil milhões de euros. Encargos brutos, 45 mil milhões.

4ª MENTIRA - Cavaco Silva não foi a oposição, foi sim conivente,  mais uma vez ficou calado, enquanto o governo Sócrates se metia neste descalabro de endividamento das Estradas de Portugal. E o presidente foi avisado.

A história repete-se há décadas, foi desta forma que o PSD ganhou ao PS...  e o PS irá ganhar ao PSD, mas Portugal e os portugueses, são os que perdem sempre, por pura burrice e ingenuidade.
Os abutres, oportunistas, aparecem quando alguém está moribundo. 
Os cobardes ganham força, quando o inimigo está caído.
Os incompetentes, chegam a parecer competentes, quando reina o caos.
Os corruptos parecem santos, quando o diabo está à solta.
As crises provocadas por todos eles, servem de arma para os colocar de novo no poleiro."

E é assim que ao longo de mais de (quase) 4 décadas se elegem criminosos e incompetentes... digo eu.