Pretendo, despretensiosamente, divulgar aqui ideias, pensamentos, acontecimentos, imagens, músicas, vídeos e tudo aquilo que considere interessante, sem ferir susceptibilidades.

Falando de tudo e de nada... correndo o risco de falar demais para nada!


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Quem é o velho? :-)

 (clique na foto para ampliar a imagem)
Esta montagem fotográfica demonstra o bom humor, a criatividade e a competência técnica de quem a executou. É claro que só podia ser do meu amigo MFreire, que me surpreendeu com esta brincadeira divertidíssima. O seu “dedo” e, sobretudo, a sua imaginação estão aqui e… nota-se.
Por falar em imaginação recordo o que Albert Einstein disse um dia: "A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação dá a volta ao mundo". E disse ainda: “O conhecimento permite-nos ir de A para B, mas a imaginação permite-nos ir a qualquer lado”.
Tudo isto está em sintonia com o perfil pessoal e profissional de MFreire com quem muito aprendi nos finais da década de 70 e início da década de 80. Deixo aqui (apenas a título de exemplo) duas das suas "dicas" pedagógicas: “o saber fazer é, para a maioria dos nossos alunos, muito mais importante do que o saber saber” e… “devemos punir para corrigir e não punir por punir”.
Obrigado amigo. Pela brincadeira, por tudo o que aprendi contigo e por me teres "levado" para esse tempo já tão longínquo. Sabe sempre bem recordar os bons e velhos tempos... 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O azul do teu olhar...

Parece que foi ontem mas… já lá vão 34 anos!   
Desde esse dia - 25 de Fevereiro de 1979 - tão significativo para mim :-), tenho a impressão de que cada ano que passa se torna mais especial. 
Mesmo com algumas dificuldades, que sempre existem, acho que conseguimos realizar coisas lindas e concretizar sonhos que à partida pareciam impossíveis. 
A tua paciência, amor e competência são "detalhes" que fizeram toda a diferença e proporcionaram esta nossa forte e eterna união.
Estarei sempre aqui… a teu lado…

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XVIII)

Por fora, Zeferino usava o cabelo comprido, desgrenhado, típico dos adolescentes dos anos 70. Por dentro, tinha a cabeça cheia de sonhos e uma vontade enorme de se emancipar e crescer o mais rapidamente possível que fez com que quisesse partir assim sozinho e à boleia, apesar de sentir o pulsar rápido do seu coração de excitação e de medo. De facto, ele sempre tinha sonhado fazer uma viagem sem saber o destino certo ou o local onde dormiria no final da jornada. Esse género de incógnita quanto ao dia seguinte era para ele um fascínio. Viajar com a mochila às costas, de forma independente, sem gastar muito e fazendo o seu próprio percurso era para ele um sonho por realizar.
Tendo em conta os últimos acontecimentos, as circunstâncias e a conjuntura pessoal e familiar dessa época entendeu que era aquele o momento indicado para cumprir esse devaneio.
Dias antes tinha conversado com alguém que, aconselhando-o, lhe disse: "Para viajarmos à boleia temos que atender a alguns princípios. Em primeiro lugar temos de evitar o pôr-do-sol; temos de aparecer cedo na estrada, caso contrário ficamos apeados e não há outra solução a não ser tentar novamente no dia seguinte; se repararmos que há raparigas sozinhas atrás de nós, devemos deixá-las passar à frente; devemos estar preparados mentalmente para sermos capazes de guardar ou deixar à guarda de um estranho as mochilas sem que algo de errado aconteça."

No dia anterior à sua partida o seu avô, ainda incrédulo quanto à sua coragem de partir de Paris com os poucos recursos económicos que tinha, colocou-lhe nas mãos 100 francos, 200 pesetas e 150 escudos. Era muito dinheiro para a altura e resolveu investir parte dele em livros e revistas. O restante seria para a alimentação dos dias da viagem e, se fosse absolutamente necessário, para dormir numa local dos mais baratos que encontrasse. Foi, ainda nesse mesmo dia, comprar numa biblioteca do centro de Paris alguns livros que eram proibidos em Portugal e considerados "livros vermelhos", onde se incluía um de Mao Tsé-Tung, o político internacional que mais o fascinava nessa época. Naturalmente, teve o cuidado de os esconder num bolso falso da sua enorme mochila, na esperança de que na fronteira entre Espanha e Portugal os deixassem passar. 

Assim preparado, e depois de definir e riscar no mapa das estradas de França alguns dos itinerários possíveis, despediu-se de seu avô e partiu rumo ao seu sonho. O destino final, bom,  esse teria de ser a casa dos seus pais. Apesar de em Portugal ainda se viverem tempos de um clima opressivo e cinzento era para aí que tinha de ir. Era a sua terra, onde estudava e preparava o futuro e onde se encontrava a maior parte da sua família e dos seus amigos.

E... partiu tendo apenas definido o destino final: Vila Flor, Bragança, Portugal. 

Quanto ao resto não tinha planos, apenas o sonho de ser feliz...

 (continua...)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Imagens do Porto com o fado - Uma Casa Portuguesa - de Amália Rodrigues

Um amigo enviou-me há uns dias este vídeo com imagens do Porto e este fado de Amália Rodrigues.
Uma simbiose perfeita! Digo eu...



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O meu blogue e eu... (II)

- Haja modéstia! “Todos os meus leitores”! Como se fossem muitos! 
- Já são alguns... até hoje já tivemos 5590 visualizações de página em 8 meses, o que uma média de 698,75 por mês e 23,29 por dia. Mas isso agora também não interessa para nada! Por causa de ti e desta maldita conversa já me estou a ver num daqueles programas da Fátima Lopes, com o tema do dia: "Senhor quase sexagenário que fala com o seu blogue"!
- Ah, isso não! Nunca te perdoaria tal baixeza! E... 5590 visualizações!!??? Se calhar são sempre os mesmos e que entram no blogue muitas vezes!
- Lá isso não sei. Só sei que, a não ser aos meus amigos mais próximos, não falei nele a ninguém, nem sequer fiz qualquer tipo de publicidade. No entanto podemos comprovar que o público reside em várias regiões do globo. Vai de Portugal à Holanda; do Brasil à Alemanha; dos Estados Unidos ao Reino Unido e de Timor a Espanha e ao Canadá! Mas.. deixa lá isso e explica-me, VylaPenedo, porquê eu?
- E porque não? Afinal, foste tu que me criaste e viste crescer! 
- Calma, não fales dessa maneira... Tudo isto é tão estranho... E difícil de explicar! Mesmo sendo o teu criador, uma hipotética conversa contigo poderá ser considerada uma alucinação. 
- Deixa-te de disparates! 
- Desculpa!? Agora não percebi...
- Estás a arranjar subterfúgios para esconderes os teus sentimentos, porque o teu raciocínio está ofuscado! 
- Mas ofuscado como? Não entendi.
- Vês como te conheço bem? Já sabia que responderias desse modo, conheço bem a tua apetência para trocadilhos. 
- Seja! Mas, com tantos blogs que se encontram por aí, decerto acharás um bem mais merecedor desta tua atenção!
- Enganas-te! A maioria dos blogs são de um narcisismo tal que impedem muitas vezes qualquer tentativa de aproximação mais séria. Por vezes, até a mera partilha de ideias se torna complicada. E por falar nisso, não tens aparecido muito por aqui ultimamente. 
- Até tenho. Mas sabes, por vezes sinto a necessidade de me distanciar.
- Daquilo que escreves? 
- Não. Os meus escritos ficam registados, o único distanciamento que tenho em relação a eles é temporal. Falo dum distanciamento físico. De quando em vez preciso de me afastar, de um certo recolhimento...
- Será isso uma espécie de “distanciamento vylapenediano”? 
- Sim. Respondi sorrindo – podes chamar-lhe assim.
- Isso foi tão profundo! (Notava um tom de escárnio na sua voz) – E que fazes nesses períodos de isolamento? 
-Leio, estudo, pesquiso, jogo xadrez on line, caminho e corro no passadiço e... ando por aí.
- Essa foi para me impressionar? De qualquer modo, com ou sem distanciamento, acabas sempre por voltar aqui! 
- É natural, VylaPenedo! És o meu blogue no qual pus todo o meu empenho!
- Muito engraçado! Agora divagas... 
- A divagar se vai ao longe, eheheh. Agora a sério, tens de perceber que esta tua interpelação, ou como lhe queiras chamar, não é muito normal... ou vulgar, vá lá!
- Certo. Mas eu quis apenas animar-te, alimentar-te um pouco o ego, para ver se não desistes do blogue e continuas a postar! 
- O meu ego não é para aqui chamado.
- Pois... claro! Mas atenção, posso gostar da tua criação vylapenediana, mas também não te convenças demais... 
- Quer dizer que não voltarás a falar comigo?
- Sim... mas fica a saber que sempre que precisares de falar, estarei aqui. 
- É bom ouvir isso, mas não creio que te interpele, em nome do pouco que resta da minha sanidade mental.
- Como queiras. Foi um prazer falar finalmente contigo. 
- O prazer foi todo teu...:-) Até sempre! 
Adeus!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O meu blogue e eu... (I)

Ontem, logo pela manhã, liguei o computador e acedi a vyla58penedo.blogspot.com, como faço quase todos os dias. Só que desta vez... 
- Olá, bom dia! Bem aparecido! 
Dei um salto na cadeira, largando bruscamente o rato.
- Mas que é isto? Que aconteceu aqui? – pensei, incrédulo. 
- Não aconteceu, está a acontecer! Sou eu a falar contigo! 
Ouvia uma voz, é certo! Mas... vinda de onde? Fixei o meu olhar no ecrã, naquela parte em que me vejo a espreitar pela porta amarela semi-aberta e comecei a aperceber-me de onde vinha a voz que ouvia! Seria possível?
- Sou mesmo eu, o vylapenedo! 
- Mas és um blogue da internet! Não é suposto falares!
E, de facto, não falava. Apesar disso, ouvia claramente a sua voz na minha mente.
Continuando a olhar (ainda) estarrecido na direcção da porta amarela (ainda) semi-aberta, conseguia sentir uma estranha vibração que acompanhava a tal voz. 
- Como consegues falar?
- Não perceberias se te tentasse explicar. Mas ouves-me, certo? 
- Sim... assenti vacilante. E porque falas comigo?
- Indo directo ao assunto... Preciso de ti e que continues a dedicar-te por mim. 
- O quê? – esfreguei as mãos na cara e abanei a cabeça, esperando que o que quer que estivesse a acontecer naquele momento passasse. Mas quando reabri os olhos....
- Desculpa, não devia ter sido tão directo, mas às vezes é melhor assim. 
- Olha lá, mas o que é isto? Dedicação a mim? Não estarás a ser ridículamente exigente? Não sabes que a partir do dia 20 deste mês vai ser mais difícil manter a assiduidade? Como vou ter tempo para tudo? Bem sabes que não tenho o dom da ubiquidade... 
- Tem lá paciência! Tens que fazer um esforço. Não vês que à medida que ias escrevendo posts, comecei a admirar-te e a identificar-me contigo? Não te dirigi a palavra antes, pois não estava certo que me irias compreender, mas hoje percebi que é chegado o momento. 
- Mas isso é absolutamente impossível! É inconcebível uma página da internet, um blogue,
ter um juízo crítico de quem nele escreve!
- Não por uma pessoa qualquer, mas aquele que me criou! E conheces uma definição universal de saudade? 
- Na verdade, há várias definições possíveis... aliás, nem serão definições, mas noções, conceitos.
- Pois lá está! Se não é possível defini-la, porquê toda essa incredulidade? 
Começava a sentir-me “encurralado”, sem resposta a tal argumentação. Como se se tivesse apercebido disso, o meu improvável interlocutor prosseguiu:
- O afecto e a dedicação não conhecem obstáculos. 
- Desculpa, mas não podes estar a falar a sério! A "mala" desse tipo não fecha bem! É o que dirão de mim quando souberem desta conversa... e olha que não perdem uma única oportunidade de me atirar isso à cara... e mais, acrescentam logo que tudo isto me acontece porque sou "benfa", "lampião", ou qualquer coisa assim do género, percebes?
- E tu importas-te mesmo com o que poderão pensar de ti? 
- Por me chamarem benfa ou lampião até gosto e diverte-me, agora quanto ao resto... bom, ai já não sei responder-te... mas todos os meus leitores falarão de mim como “o alucinadinho que fala com o seu blogue”! Serei gozado por todos, apontado a dedo: - “Olha, aquele passou-se!”
(continua)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XVII)

Zeferino andava triste. Passou os dias seguintes numa grande apatia e a pensar na incerteza do seu futuro.
Como autodefesa pensava que devia aproveitar esta experiência com Emeralda para se tornar num cidadão mais forte, mais sólido e mais resistente aos imprevistos da vida. Talvez Emeralda tenha aparecido na hora certa, no lugar certo e se tenha ido embora no momento perfeito. Quem sabe? Quem sabe se não foi melhor assim quando ainda ficou tudo de lindo no ar e todos os mistérios por revelar. Sem terem ainda reconhecido nenhum defeito tal como num belo quadro na parede de uma galeria de arte.

Esta relação fica assim feita de suposições, de imaginação, doces lembranças e muitos sonhos.

E Zeferino pensava para si procurando animar-se: o amanhã pode ser muito incerto, isso é certo, mas não posso perder a esperança e tenho de continuar a procurar a felicidade.
E será que houve mesmo um amor de verdade entre nós ou apenas o carinho de uma sensual amizade?
O que ficou, isso sim, foi este sentimento confuso e difuso que o acompanhou para todo o sempre.
Lembrou-se de retribuir o gesto de Emeralda. Escrever o seu sentir e deixá-lo no Café Le Pré aux Clercs, na esperança de que ela um dia também fosse lá e tivesse a oportunidade de o ler para, finalmente, ficar a saber as razões pelas quais ele não pode comparecer ao encontro.
Assim decidido, deixou ao mesmo empregado de balcão e dentro de um envelope uma mensagem de 15 páginas (!) redigidas com fervor e paixão tendo-a iniciado com uma citação, também de Pablo Neruda, para retribuir de  forma significativa e simbólica mas sobretudo por lhe parecer a mais adequada e perfeita para melhor explicar os seus sentimentos:

"Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos, 
já não se adoçará junto a ti a minha dor.  
Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.  

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.  

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.  

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou...

Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus."

E depois continuou dizendo que as palavras que lhe deixava eram as palavras que sempre existiram no fundo do seu ser e que estariam prontas a saírem no dia em que a encontrasse nessa encruzilhada que é a vida e no dia em que as circunstâncias (ou o destino?) os colocassem frente a frente ou a trilhar o mesmo caminho. Como, aliás, tinha acontecido nesses últimos dias, sem anunciar, sem esperar.
Zeferino continuou num longo desabafo: "Emeralda, tu foste aquela que eu via sem rosto quando te procurava em vão, perdido nas tempestades dos meus pensamentos mais íntimos e que me deixavam vazio, sem te encontrar e sem mais saber de mim.
Depois, surgiste... Assim de surpresa, no meio duma viagem e das «entrelinhas» de um comboio internacional. Ao fim da tarde e enquanto o sol se punha mas que reflectia o teu rosto por entre as folhagens espessas das árvores que passavam pela janela do comboio"
"Mas fez-se luz!"    "(...)"
"...fizemos acontecer o milagre e tocámo-nos." "...olhámo-nos nos olhos, mergulhámos nos nossos mares, e nesse mesmo instante soube que serias minha."
"...Mais tarde, no preciso momento que resplandeceste em mim por entre duas brilhantes estrelas, que passaram de repente pela mesma janela, eu bebi do teu rosto num beijo, entraste-me na minha alma e disseste: Zefe, beija-me mais e mais!
Selámos o nosso amor com o sal dos nossos olhos, com o gosto dos nossos lábios e com o calor dos nossos corpos.
Se escrevo estas linhas agora e não antes, não é para que saibas que te amo, nem para me rearfirmares o teu amor. Isso sentimos os dois desde o primeiro instante...
Todos os poetas cantaram o amor, mas só quem o sente e o vive lhe entende o sentido, lhe sabe a dor com que o fogo corta o peito, o doce da entrega e o amargo que castiga as almas com as ausências.

Estas linhas simples são apenas um grito ao mundo, para que ele desperte e durante uma breve paragem do tempo se dê conta que existimos. 

Que seja também um anúncio do nosso amor que segue viagem, nesta viagem que é a vida...". 
 (continua...) 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Conto: Neto de um emigrante em Paris! (XVI)

Nessa manhã cinzenta do dia 13 de Abril de 1971 (terça-feira 13 - dia das bruxas?), Zeferino foi confrontado com o destino. Um pé mal colocado na borda do passeio fê-lo desequilibrar e estatelar-se desamparado na calçada. Enquanto praguejava, e amaldiçoava os sapatos novos que trazia calçados e se usavam assim altos nessa época, os seus familiares correram aflitos em sua ajuda. De facto, já não conseguiu levantar-se sozinho e rapidamente foi levado para o hospital mais próximo. Depois da respectiva radiografia ao pé direito veio o diagnóstico: entorse grave do tornozelo com rutura dos ligamentos e derrame sanguíneo.
Depois de lhe fazerem um tratamento à base de gelo, foi medicado com um anti-inflamatório e um analgésico, deram-lhe alta com a "promessa" de que a recuperação seria lenta. 

Ao fim de três longos dias parado em casa, mais precisamente no dia 17 de Abril, já muito impaciente e preocupado por não ter tido a oportunidade de telefonar a Emeralda (não havia telefone em casa de seu avô), mesmo ainda não totalmente recomposto e com o pé ainda débil e a doer, Zeferino fez uma incursão sozinho pela cidade de Paris, em busca do tempo perdido e da felicidade. Já não podendo esperar mais, lá foi caminhando devagar com o pé bem aconchegado a uma forte meia elástica e com a ajuda de uma canadiana até à cabine de telefone pública mais próxima. Mas... ninguém atendeu na casa de Emeralda e… achou estranho.
Não teve outro remédio senão deslocar-se a casa dela mas aí também ninguém respondeu pelo intercomunicador. Mais estranho achou... Ficou ali, parado sem saber o que fazer. Aguardou duas horas no passeio em frente até que se lembrou de um destino: o café onde Emeralda tinha tomado o pequeno almoço - o Le Pré aux Clercs. Na altura pareceu-lhe que havia uma certa familiaridade dela com os empregados. Completamente desanimado, Zeferino partiu à procura da sua amada. Ao longe a esplanada estava vazia e logo que entrou no estabelecimento, varrendo-o ansiosamente com o olhar, também verificou que nele não se encontrava ninguém conhecido a não ser o empregado que os tinha atendido na única vez que aí tinha estado. Do lado de lá do balcão, em silêncio, o outro empregado olhava-o num misto de surpresa e de compaixão - pareceu-lhe. Então, Zeferino sentou-se num dos bancos altos do balcão e perguntou por ela. O empregado olhou-o, taciturno, e de seguida retirou de uma gaveta um pequeno envelope fechado que, sem explicações, lhe entregou ao mesmo tempo que encolhia os ombros. 
Com um ar grave e as mãos trémulas, Zeferino abriu o envelope que continha um pequeno bilhete e leu:
 

Zeferino
Não estou certa que leias estas linhas. Nunca mais voltaste e desesperei de esperar por ti... É estranho que, neste tempo que passámos juntos, nunca me tenha preocupado em saber onde moravas ou se tinhas telefone em casa de teu avô. Que pena saber tão pouco de ti! Foi um erro meu. Restou-me esperar... Penso, agora, que tudo não passou de uma fugaz ilusão e que tu rumaste a outras paragens ou, talvez, a Portugal. Entretanto tive também de partir repentinamente e sem contar... sim, já não estou em Paris. Parti para Itália com a minha mãe que procura uma reconciliação com meu pai, portanto... só me resta despedir-me desde modo na esperança que tu um dia por aqui passes e perguntes por mim. Quero dizer-te
que foi por ti que um dia me apaixonei e guardarei para sempre a recordação dos momentos felizes que contigo vivi. Para terminar cito Pablo Neruda e perceberás porquê:
"E desde então, sou porque tu és
e desde então és
sou e somos...
e por amor
serei... serás... seremos..." ♥   
Emeralda 

Por minutos, Zeferino ficou de olhos fixos no chão, meditabundo. O garçon, varria o chão do bar, num mutismo comprometido. Então, levantou-se com dificuldade, apertou a mão ao empregado do balcão e saiu. 
Por Paris deambulou, até que a noite o cobriu com a sua capa de escuridão. Sentado num lugar isolado, nas margens do Sena, a carta amarfanhada entre os dedos, Zeferino escutava o rio, com um olhar ausente. 

No seu cérebro, em turbilhão, lembrava o rosto da bela Emeralda... 

 (continua...) 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Camões e a sua dor...

Calma, amigo Luís! Se vivesse nos dias que correm teria (provavelmente) de tomar uns antipiréticos e uns quantos analgésicos para aliviar essa dor...